GSI Avalia quadro real da paralisação e próximos passos

O Gabinete de Segurança Institucional realiza nesta manhã uma reunião, no Palácio do Planalto, com diversos ministros para avaliar o quadro real de paralisação de caminhoneiros no País, no quinto dia de mobilização. “Nós teremos uma reunião de avaliação para entender qual é o quadro efetivamente no País e as medidas necessárias para poder assegurar o abastecimento da população, que não pode pagar por essa paralisação”, disse ao Estado o ministro-chefe do GSI, general Sérgio Etchegoyen.

Ele lembrou que o governo assinou um acordo com várias entidades de caminhoneiros ontem à noite e os líderes deveriam ter conseguido começar a resolver o problema, com o fim da paralisação, mas eles não conseguiram nada e o acordo não foi cumprido. “Estamos avaliando o que está acontecendo, qual a intensidade do movimento e dos bloqueios, qual a tendência dele”, afirmou ele, informando que convidou para esta reunião ministros e representantes da Casa civil, Defesa, Segurança Pública, Advocacia da União, Transportes e entre outros.

O ministro não quis falar sobre a possibilidade deste movimento ser uma espécie de locaute, que é quando os empresários de um setor comandam paralisações, o que é proibido por lei. O Estado apurou, no entanto, que a o governo avalia sim esta possibilidade porque não acredita que o movimento tenha tomado tal proporção apenas por iniciativa dos caminhoneiros, sem apoio dos patrões. Desde a terça-feira essa possibilidade está sendo avaliada e a Polícia Federal vai investigar o possível locaute.

Mas o Planalto que não se houver de fato locaute, não é este apenas o problema porque metade da categoria é formada por autônomos e estes também estão paralisados e não seguiram o acordo assinado ontem com o governo. Desde o fim de semana o governo teve informações dos órgãos de inteligência sobre o movimento, não previu que ele pudesse chegar a esse ponto de tamanha preocupação, como explicou um interlocutor direto do presidente. “A situação está ficando muito crítica”, comentou esse assessor presidencial.

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, por sua vez, reconheceu que há dados que apontam a possibilidade de que a greve dos caminhoneiros seja um locaute. Mas não quis entrar em detalhes sobre que informações teriam para fazer tal avaliação. O governo sabe que existem o que chama de “oportunistas” que estão participando dos movimentos e temem que a situação fuja do controle e possa levar também a população às ruas, já que o acordo atende apenas a questão do óleo diesel, deixando de lado a gasolina, que está com seu preço liberado, atingindo níveis abusivos em vários locais.

Daqui a pouco, no Planalto, será realizada também uma reunião do presidente Michel Temer com os secretários de fazenda dos estados. O governo quer que os estados, que cobram ICMS de parte expressiva de imposto do diesel deem sua contribuição e também reduzam sua margem de cobrança para ajudar a solucionar o problema.

A Casa Civil vai voltar a procurar os lideres dos movimentos para fazer novo apelo para que consigam convencer seus companheiros a voltar ao trabalho. O governo teme que a paralisação prossiga por mais tempo e aí sim se instale o caos no País. Embora evitem falar em caos , o sentimento é de que a situação pode começar a sair do controle. (Tânia Monteiro, Estadão)