Mulheres fazem a diferença no ambiente escolar com histórias de superação e esforço

Mãe, esposa, profissional, dona de casa e mulher. Uma pesquisa divulgada em 2014, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), destacou que o Brasil conta com 6,3 milhões de mulheres a mais do que homens.

Com o passar dos anos, o número de características adicionadas às mulheres só tem aumentado. Isso se dá a uma luta constante pela tão sonhada igualdade social. E é por esta razão que as mulheres têm tido cada vez menos tempo disponível para participar de inúmeras atividades, dentre elas, os serviços voluntários.

Mas, ainda que seja raro, encontramos aquelas que dedicam parte do seu tempo para promover o voluntariado. Como é o caso de Celiane Silva Pinto Santos e Vanúsia Ribeiro Santana de Souza, que são voluntárias na Escola Estadual de Tempo Integral Vila União.

Estas mães, além de ajudarem na escola, acompanham de perto o desenvolvimento dos seus filhos. Dona Celiane Santos é mãe de Filipe Silva dos Santos, de 17 anos, que faz a 3ª série do ensino médio e, Marcos Silva dos Santos, de 13 anos e está no 9º ano do ensino fundamental. Ambos estudam na Escola Vila União.

A dona de casa, de 42 anos, contou que visita a unidade, em média, de uma a duas vezes por semana. “Participo de todas as reuniões de pais, e sempre que a escola realiza eventos como festas juninas, páscoa, confraternizações, contribuo no preparo de alimentos, organização e limpeza do pátio”, disse Celiane Santos.

Para a coordenadora de Cultura da unidade, Danila Lima de Moura Silva, com este gesto, elas colaboram diariamente com o desenvolvimento da educação. “A ajuda delas é de suma importância e faz toda a diferença, não só para o desenvolvimento da escola, mas na vida dos filhos que são assistidos. A escola só tem a crescer, quando existe a soma de alunos, professores e pais”, destacou.

Vanúsia Ribeiro Santana de Souza, de 39 anos, é voluntária há cinco anos. Mãe de quatro filhos, a dona de casa contou como iniciou suas atividades na escola. Segundo ela, todos os filhos já passaram pela unidade. Naquele período, era comum receber algumas reclamações, bilhetinhos e orientações dos professores da unidade. E foi a partir daí que ela decidiu fazer a diferença na vida dos filhos, o que resultou em um trabalho satisfatório para ela e para todos da comunidade escolar.

“Na época, procurei o gestor da unidade e me ofereci para ajudar nas atividades da escola. Com a sua autorização, comecei a me ambientar com a rotina. Passei a frequentar uma, duas vezes por semana e, percebi o quanto aquele trabalho me fazia bem. Eu estava acompanhando os meus filhos, ajudando na escola, auxiliando outras crianças e este trabalho me entusiasmava. Saí de casa para ajudar e fui ajudada”, destacou a mãe de Diogo Ribeiro de Souza, aluno do 8º ano do ensino fundamental.

Dona Vanúsia Santana frisou ainda que, com o passar do tempo, trabalhar na escola começou a fazer parte de sua rotina. “Eu organizo a minha casa e venho a partir das 10h30. Saio às 16h30. Neste período, exerço diversas funções”, disse.

A voluntária contou ainda que, quando começou a ajudar na escola, sofria de síndrome do pânico, e naquela época ela acreditava que tinha muitos problemas e era incapaz de ajudar. Hoje, ainda em tratamento, ela relata as oportunidades que teve na escola. “Depois que entrei aqui, despertou em mim o interesse em voltar a estudar, e assim foi. Voltei para a escola e os professores me auxiliaram muito. Eles questionavam sobre as atividades e contribuíam com explicações e reforços. Encontrei apoio de todos, tanto da minha família, meu esposo e meus filhos, quanto da equipe escolar e sinto um enorme prazer em vir diariamente para a escola e saber que estou contribuindo não apenas com a formação dos meus filhos, mas de uma sociedade”, concluiu.

Emocionada, dona Vanúsia Santana de Souza frisou que o trabalho voluntário beneficia a todos, tanto os que recebem quanto os que colocam seu tempo em prol de algo ou alguém. Questionada sobre por que ser voluntária, ela respondeu com outra pergunta. Por que não ser? E acrescentou, contribuir é muito fácil, o que precisa ser feito é começar.

Thaís Souza