Lagarta que atacou soja Intacta em Goiás era a armigera, dizem pesquisadores

Testes contradizem a Monsanto, segundo quem a praga detectada em lavoura de Chapadão do Céu era de outra espécie

Baseados em testes de DNA, a Fundação Chapadão e o Instituto Phytus dizem ter confirmado que é da espécie helicoverpa armígera a lagarta que atacou lavouras de soja Intacta RR2 em Chapadão do Céu (GO). O comunicado das duas instituições contradiz a conclusão de testes feitos pela Monsanto, segundo os quais o ataque tinha sido de helicoverpa zea, espécie diferente.

Segundo a Fundação Chapadão, as amostras testadas foram coletadas dois dias antes da coleta feita por profissionais a serviço da Monsanto, dona da tecnologia da soja Intacta. As lagartas foram enviadas aos laboratórios do Phytus, em Santa Maria (RS), com a análise a cargo do pesquisador Juliano Farias.

“Os testes de DNA confirmaram que as amostras eram de Helicoverpa armigera, diferente do que a Monsanto se pronunciou em função de suas amostras”, diz o comunicado divulgado nesta semana pela Fundação Chapadão.

A presença da lagarta tinha sido detectada por técnicos da Fundação Chapadão no final do ano passado. Segundo os pesquisadores, foram contadas de duas a quatro unidades por metro de linha. Em alguns pontos da lavoura, a taxa era de 11% de infestação, quadro considerado crítico.

A presença da Helicoverpa nas lavouras de Intacta chamou a atenção exatamente porque uma das promessas da empresa é a de manter a espécie longe das plantações. Segundo a Monsanto, a tecnologia é dotada de uma proteína tóxica que causa a morte da praga quando ingerida.

Na época, técnicos da Monsanto foram chamados para avaliar a situação e constataram que não houve mistura de sementes. Ou seja, toda a área estava plantada com a tecnologia Intacta, eliminando a hipótese de haver outro tipo de material que estivesse atraindo os insetos. A recomendação era a de usar técnicas de manejo integrado de pragas (MIP).

“A Intacta não tem o objetivo de controlar todas as pragas nem todas as lagartas na soja. A gente faz a supressão de elasmo (outra espécie de lagarta) e de Helicoverpa”, disse, durante um evento da Monsanto, em São Paulo, o presidente da empresa no Brasil, Rodrigo Santos, em entrevista à Globo Rural.

Em meados de janeiro, a multinacional divulgou que depois de testes utilizando duas metodologias diferentes, chavia constatado que a espécie que atacou a lavoura em Chapadão do Céu era Helicoverpa zea, praga considerada típica da cultura do milho, também conhecida como lagarta da espiga. Até aquele momento, o Instituto Phytus ainda não tinha divulgado as conclusões da sua análise.

Levantamento

Na nota divulgada nesta semana, a Fundação Chapadão informou ter recebido visita de representantes do Ministério da Agricultura para discutir um programa de levantamento das populações de helicoverpa para a próxima safra. Além disso, preocupa os pesquisadores a possibilidade de propagação de híbridos das espécies armígera e zea, o que pode dificultar o manejo.

“Poderia ser um grande problema haja visto que cada espécie apresenta características distintas que podem dificultar o seu manejo. Uma nova linha de trabalhos será iniciada pelos pesquisadores, a fim de analisar a presença dos genes de resistência nestas populações, além de mapeamento de populações e alternativas”, diz o comunicado.

Ainda na nota, os pesquisadores da equipe de pragas e plantas daninhas da Fundação Chapadão reforçam a importância de adotar as ferramentas de Manejo Integrado de Pragas (MIP).

GR