Acusado de ser um dos executores de dono de posto em Porto Nacional teria sido morto por asfixia

Nota da Secretaria de Cidadania e Justiça não dá detalhes e diz apenas que José Marcos foi encontrado morto na Ala 3 do Pavilhão B, por volta das 10 horas desta sexta-feira

Wencin Leobas, assassinado em janeiro de 2016

Com o assassinato de José Marcos de Lima, 41 anos, um dos acusados de ter executado o proprietário de uma rede de combustíveis em Porto Nacional, Wenceslau Gomes Leobas de França Antunes, o Wencin, a Secretaria de Cidadania e Justiça (Seciju) informou por meio de nota que foi aberto um processo administrativo disciplinar para investigar os possíveis autores do processo.

A nota da secretaria não dá nenhum detalhe do que pode ter ocorrido. Apenas informa que José Marcos foi encontrado morto na Ala 3 do Pavilhão B, da Casa de Prisão Provisória de Palmas (CPPP), por volta das 10 horas desta sexta-feira, 3. Extraoficialmente, o CT apurou que ele teria sido morto por asfixia com o uso de uma corda, logo após o banho de sol da manhã.

A pasta também destaca que o Instituto Médico Legal e a Delegacia de Homicídios foram acionados para apurarem as circunstâncias da morte de José Marcos. Ainda conforme a secretaria, foi aberto um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar os possíveis autores do ocorrido.

O outro acusado de matar Wencin em janeiro do ano passado, Alan Sales Borges, 35 anos, que também está preso na CPPP. A Justiça decidiu no dia 26 que os dois iriam a júri popular pelo crime.

Corpo de José Marcos foi encontrado na Ala 3 do Pavilhão B, da CPPP; possivelmente, ele foi enforcado

O crime ocorreu em Porto Nacional em janeiro de 2016, causando comoção na comunidade local. O assassinato teria sido motivado, segundo o MPE, por interesses financeiros, já que Wenceslau Gomes estava instalando um posto de combustíveis em Palmas, onde praticaria preços inferiores aos de seus concorrentes, entre os quais está o empresário Eduardo Pereira, o Duda, acusado de ser o mandante do crime.

Consta da acusação que a dupla teve como promessa de pagamento pelo homicídio o valor de R$ 350 mil. De acordo com o promotor de Justiça Abel Leal, Wencin já possuía um posto de combustíveis em Porto Nacional, no qual os preços são inferiores aos cobrados na cidade.

Por esse motivo, o empresário teria sido procurado anteriormente por Eduardo Pereira, então presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Tocantins (Sindiposto) e proprietário de postos de combustíveis em Porto Nacional e Palmas, que lhe propôs um esquema de alinhamento de preço para anular a concorrência e aumentar a margem de lucros. Wencin teria rejeitado a proposta.

José Marcos de Lima, acusado de ser um dos executores de Wencin e que foi morto nesta sexta-feira

Tempos depois, após a vítima dar início à instalação de um posto de combustíveis na Capital, Eduardo Pereira haveria passado a ameaçá-lo de morte. As ameaças teriam se intensificado na semana anterior ao homicídio.
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Em junho de 2016, o Poder Judiciário aceitou a denúncia do MPE contra o empresário Eduardo Pereira. O processo contra o ex-presidente do Sindposto tramita separadamente ao dos supostos executores e tem audiência de julgamento prevista para maio deste ano.

Wenceslau, conhecido com Wencim Leobas faleceu aos 77 anos no dia 14 de fevereiro de 2016, no Hospital da Unimed, em Palmas. O empresário se encontrava internado desde que foi atingindo com um tiro de espingarda calibre 12, no dia 28 de janeiro do ano passado, em frente à Câmara de Porto Nacional.

Alega inocência
Em entrevista em junho do ano passado, Duda afirmou que todo denúncia contra ele tem por base apenas as palavras de Talyanna Barreira Leobas de França Antunes, filha de Wencin. Ele disse que a filha quer “criar um monstro” ao, segundo ele, “denegrir” a sua imagem.

Duda negou qualquer relação com o crime e disse que não conversava com Wencin fazia cinco anos.

O ex-presidente do Sindiposto ainda negou que exista um cartel em Palmas que alinha o preço dos combustíveis, apontado pela Polícia como o suposto motivo para o homicídio de Wencin.

Ao contrário, Duda insiste em vários momentos da conversa com a reportagem disse que não mandou matar o concorrente e afirma que todo relatório da Polícia e a denúncia do Ministério Público são baseados apenas nas palavras da filha da vítima. “Estou me sentindo injustiçado por tudo que está sendo feito por base apenas na denúncia de uma filha, juntando fatos que nada têm a ver com o caso para poder tentar denegrir a minha imagem, para colocar a opinião pública contra mim”, reclama.

Confira abaixo a íntegra da nota da Seciju:

“NOTA A IMPRENSA
DATA: 03.03.2017
ASSUNTO: MORTE DE REEDUCANDO

A Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju), por meio da Superintendência do Sistema Penitenciário Prisional, informa que o reeducando José Marcos de Lima, 41 anos, foi encontrado morto por volta das 10h da manhã no corredor da Ala 3, do Pavilhão B do Núcleo de Custódia e Casa de Prisão Provisória de Palmas (NCCPP).

Ainda informamos que o Instituto Médico Legal (IML) e a Delegacia de Homicídios foram acionados para apurarem as circunstâncias da morte de José Marcos de Lima. Destaca-se que foi aberto um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar os possíveis autores do ocorrido.”

 

via CT