Pesquisa aponta que sucessão sorgo-soja exige cuidados

Os estudos comprovaram que os resíduos do sorgo-sacarino – devido à liberação de substâncias alelopáticas – influenciam no desenvolvimento da soja em sucessão.

Pesquisa realizada pela Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados/MS) conclui que a semeadura da soja com um intervalo de uma semana após o manejo do sorgo sacarino já seria suficiente para amenizar possíveis efeitos negativos na soja. O plantio de soja imediatamente após o manejo do sorgo sacarino pode prejudicar o desenvolvimento da leguminosa”, explica o pesquisador Rodrigo Arroyo Garcia.

Os estudos comprovaram que os resíduos do sorgo-sacarino – devido à liberação de substâncias alelopáticas – influenciam no desenvolvimento da soja em sucessão, caso esse intervalo sugerido não seja respeitado. Segundo o pesquisador, a parte aérea e o sistema radicular da soja são prejudicados, o que pode resultar em diminuição do potencial produtivo.

Essas influências negativas do sorgo sacarino são produzidas por substâncias alelopáticas, ou seja, um processo natural da cultura, que envolve a liberação de metabólitos produzidos pela planta, que influenciam o crescimento e desenvolvimento de cultivos posteriores. O termo alelopatia foi criado pelo pesquisador austríaco Hans Molisch, em 1937, e deriva da união das palavras gregas allélon (de um para outro) e pathos (sofrer).

O conceito descreve a influência de um indivíduo sobre o outro, no caso uma planta sobre a outra planta, seja prejudicando ou favorecendo a segunda, e sugere que o efeito é realizado por biomoléculas (denominadas aleloquímicos) produzidas por uma planta e liberadas no ambiente.

“Nesse caso, observamos que o sorgoleone, presente nos resíduos do sorgo sacarino, principalmente nas raízes, é o responsável pelo efeito desfavorável na cultura sucessora”, explica Arroyo. Ele salienta que o experimento foi conduzido em casa de vegetação e os resultados foram muito consistentes. Portanto, mesmo que em condições de campo os efeitos sejam atenuados, o crescimento da soja pode ser prejudicado.

RESUMO DO ESTUDO

Os resíduos do sorgo-sacarino, pela liberação de substâncias alelopáticas, podem afetar negativamente o desenvolvimento da cultura em sucessão. Nesse contexto, objetivou-se avaliar os efeitos dos resíduos de duas cultivares de sorgo-sacarino na soja Semeada em sucessão, em função de intervalos para semeadura após o manejo do sorgo. O experimento foi conduzido em casa de vegetação na Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados, MS, em vasos com capacidade de 14 litros.

O delineamento utilizado foi inteiramente casualizado, em esquema fatorial 2×4, com quatro repetições. Os tratamentos foram constituídos por duas cultivares de sorgo (BRS 506 e BRS 511) e quatro intervalos para semeadura da soja após manejo da gramínea (0, 3, 6 e 9 dias). As plantas de sorgo foram cultivadas por 65 dias após a emergência. Vasos adicionais foram cultivados para determinação dos teores de sorgoleone no solo, raízes e parte aérea. Após o corte da parte aérea, homogeneização dos resíduos e disposição no mesmo vaso, procedeu-se a semeadura da soja (BRS 388 RR), que foi cultivada até a fase inicial de florescimento. Avaliouse a produção de fitomassa e a taxa fotossintética da parte aérea da soja.

Quanto ao sistema radicular, determinou-se a matéria seca e parâmetros morfológicas (diâmetro médio, comprimento, número de bifurcações e número de ramificações das raízes) por digitalização com scanner. Os resíduos das cultivares BRS 506 e BRS 511 de sorgo-sacarino prejudicaram o desenvolvimento da soja. As constatações também foram detectadas por sintomas visuais. Porém, a BRS 506 teve maior influência na atividade fotossintética e arquitetura do sistema radicular da leguminosa. Isso pode estar relacionado aos maiores teores de sorgoleone nessa cultivar no momento do corte das plantas. Nove dias de intervalo entre o manejo do sorgo e a semeadura da soja em sucessão são suficientes para diminuir os efeitos negativos no crescimento da soja.

 

(Da Embrapa)