Quem são os “novos pobres” da crise brasileira?

As vítimas da recessão tem um perfil diferente dos estruturalmente pobres no país, de acordo com estudo do Banco Mundial

A análise foi publicada no começo da semana. São considerados pobres aqueles com renda per capita abaixo de R$ 140 por mês em preços de junho de 2011.

Esses “novos pobres” são pessoas “mais jovens, qualificadas, que residem em áreas urbanas, vinham trabalhando no setor de serviços e são brancas”.

Os estruturalmente pobres tem uma média de qualificação bem mais baixa do que os não pobres, mas isso não acontece entre os novos pobres.

“A proporção de pessoas qualificadas no pool de ‘novos pobres’ é quase tão alta como no pool de não pobres. Isso implica que a atual crise econômica deve empurrar para a pobreza pessoas qualificadas que em outras circunstâncias permaneceriam acima da linha de pobreza”, diz o texto.

Uma das razões é que a recessão veio acompanhada por queda dos salários reais e aumento do desemprego, que foi de 9% para 12% entre o final de 2015 e o final de 2016.

A nova pobreza é mais urbana porque no campo as taxas já são mais elevadas historicamente, e mais forte no Sudeste, considerando que o Nordeste já tem uma taxa maior da pobreza estrutural.

Os responsáveis pelos domicílios estruturalmente pobres são quase 9 anos mais jovens do que aqueles não pobres, enquanto os “novos pobres” são 3 anos mais jovens do que os estruturalmente pobres.

A história é semelhante na comparação racial. A proporção de brancos é maior entre os não pobres, mas a probabilidade de que os “novos pobres” sejam brancos é maior do que os estruturalmente pobres.

O Banco Mundial também nota que a desigualdade deve subir neste novo cenário e que a chegada dos novos pobres exige uma ampliação do orçamento e do alcance do Bolsa Família:

“A profundidade e duração da atual crise econômica no Brasil cria uma oportunidade para expandir o papel do Bolsa Família, que passará de um programa redistributivo eficaz para um verdadeiro programa de rede de proteção flexível o suficiente para expandir a cobertura aos domicílios de ‘novos pobres’ gerados pela crise”.

 

João Pedro Caleiro – Exame