Professor ajuda alunos de escola pública terem notas acima de 900 na redação do Enem

As aulas do projeto

O professor de Língua Portuguesa, Paulo Martins, que trabalha no Centro de Ensino Médio Tiradentes, em Palmas, começou no ano passado a desenvolver o projeto “Redação nota 1000”, com os alunos que estavam interessados em melhorar a arte da escrita e da interpretação. Essas aulas eram ministradas aos sábados e, no período da greve dos profissionais da Educação, o estudo acontecia nas quartas-feiras. O resultado do empenho do professor e do interesse dos alunos é que alguns jovens tiraram nota acima de 900 na redação no último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Foi na sala de aula que o professor Paulo Martins percebeu que deveria focar mais em redação. Assim, ele propôs um horário alternativo, e muitos jovens aceitaram. Além de estudar redação, de produzir textos, o professor incentivou o estudo comparativo das produções, de temas atuais e de desenvolver a capacidade de filosofar. Paulo Martins explicou como promoveu a verdadeira aprendizagem. “Levava um tema para a sala de aula, analisávamos, promovíamos um debate e assistimos a vídeos para ampliar o conhecimento. Também verificávamos as várias possibilidades de argumentações e contextualizava utilizando a filosofia e aspectos históricos”, contou.

Outro ponto que ajudou na melhoria da aprendizagem foi a forma de correção. “Na mesma semana, proporcionava aos alunos a correção do texto, mostrava como podiam melhorar e, algumas vezes, escolhia um tema e também escrevia uma redação e depois eles faziam o estudo comparativo”.

O aluno Thallisson de Sousa, 17 anos, conseguiu uma façanha. Em 2015, ele tinha alcançado 520 na redação, com as aulas extras no CEM Tiradentes, ele conseguiu, no último Enem, 960 pontos, isto é, ele obteve um diferencial de 440 pontos. Thallisson vai estudar Engenharia Civil no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins (IFTO).

A estudante Yasmim Monteiro, 17 anos, no Enem de 2015 tinha tirado 580 pontos na redação, neste último, ela conseguiu 920 pontos. Ela pretende cursar Direito. E Ulisses Milhomem, 17 anos, que está na 2ª série do ensino médio tirou 540 na redação, agora alcançou 900 pontos.

Esses alunos são unânimes em apontar as aulas do professor Paulo Martins, a sua forma de ensinar, de incentivar, de motivar e de revelar as habilidades dos alunos para a arte de escrever e fazer as leituras do mundo.

“Eu não estudava sobre a forma de escrever textos. Depois dessas aulas percebemos que a redação tem uma fórmula, estrutura e poesia. É como se uma porta fosse aberta para conseguirmos enxergar a redação de outra forma”, frisou o estudante Thallisson.

“O professor sempre trouxe inovações para as aulas. No período da greve, comecei a estudar em casa, e com a ajuda do professor fomos descobrindo as formas de estudar, compreender e escrever uma redação”, revelou Yasmin.

“Redação é como um circuito, não devemos deixar brechas. Antes escrevia períodos longos, não sabia onde colocar a vírgula. Agora, os meus textos têm mais coesão e contextualidade”, frisou Ulisses.

Aprendizagens na vida do professor

Nas suas aulas, Paulo Martins passou a gostar de filosofia, de tanto incentivar os seus alunos a lerem para melhorar a argumentação dos textos. O professor passou 15 dias analisando os temas de redação dos exames passados e os assuntos vigentes nos veículos de comunicação, por seletividade, apontou 10 assuntos que poderiam ser temas da redação. O primeiro da lista era intolerância religiosa e, com isso, alunos e professor produziram redações sobre o tema e ficaram mais preparados para o exame do ensino médio.

A diretora da escola, Walkiria Ursino Rocha, esclareceu que o mais importante foi reescrever os textos produzidos. “Eles leram, escreveram, observaram, seguiram as dicas do professor e reescreveram os textos. Esse exercício é o que ajuda no aprimoramento da produção e da formação do pensamento”, frisou. A diretora contou que todos da escola ficaram felizes com o excelente desempenho desses alunos do Enem.

 

Josélia de Lima – Seduc/TO